12 de setembro de 2010

A situação dos mangues e a caatinga brasileira



Luciana Ferreira, da Jovem Pan Online, entrevista o biólogo Armênio Uzunian que fala sobre a atuação situação da vegetação brasileira, a agressão aos biomas, transposição do São Francisco, mudanças climáticas e principalmente a riqueza do Bioma Caatinga.



Curiosidades sobre a Caatinga

· Estudos recentes mostram que cerca de 327 espécies animais são endêmicas (exclusivas) da Caatinga. São típicos da área 13 espécies de mamíferos, 23 de lagartos, 20 de peixes e 15 de aves. Entre as plantas há 323 espécies endêmicas.

· A Caatinga compreende quase 10% da área total do território brasileiro, com aproximadamente 740.000 km2.

· Uma área de Caatinga mais conservada pode abrigar cerca de 200 espécies de formigas, enquanto nas mais degradadas há de 30 a 40.

· Cerca de metade da paisagem de Caatinga já foi deteriorada pela ação do homem. De 15% a 20% do bioma estão em alto grau de degradação (com risco de desertificação).

· Vive na Caatinga a ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Anodorhynchus spix), da qual só se encontrou um único macho na natureza. Também vive ali a segunda mais ameaçada do país, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). Habitam os arredores de Canudos (BA), e há menos de 150 exemplares, um décimo da população ideal no caso de aves, que demoram a se reproduzir.

· Uma formação de relevo característica na depressão nordestina é o 'inselberg', bloco rochoso sobrevivente ao desgaste natural.

· Na estação seca a temperatura do solo pode chegar a 60ºC.

· A perda das folhas da vegetação da Caatinga é estratégica. Sem folhas, as plantas reduzem a superfície de evaporação quando falta água.

· No idioma tupi, Caatinga quer dizer Mata Branca, referência à vegetação sem folhas que predomina durante a época de seca

7 de setembro de 2010

Caatinga: ambiente dos fortes!





A expedição do Aventura Selvagem é na caatinga da Paraíba. Esse bioma esquecido é moradia de bichos fortes e rústicos. Animais que lutam pela sobrevivência num lugar quente, onde a seca dura praticamente o ano todo. Apesar disso, a vegetação é rica em plantas medicinais, muitas vezes utilizadas pelo sertanejo como único recurso para a cura de problemas de saúde.
É no meio do sertão que Richard Rasmussen encontra uma lacraia, bicho perigoso pelo veneno que injeta ao ser incomodado. No município de Cabaceiras, cenário de vários filmes brasileiros, o aventureiro promove o salvamento de pequenas traíras que estavam prestes a morrer num barreiro.
Ao visitar um criador de caprinos, Richard mede forças com um bode invocadíssimo. Imagine a cena! Depois, ele conhece dois filhotes do bode, recém nascidos que não param de berrar nos braços do selvagem. Um momento imperdível do programa!
Só que outro bicho chega pra roubar a cena: um sapo de chifre. Esse sim o rei da sobrevivência: ele fica debaixo da terra durante quase um ano à espera da chuva. Dá pra ter uma ideia do quanto o aventureiro fica eufórico com esse achado?
No quadro Profissão Natureza, Richard vai ao laboratório de um taxidermista. Ele mostra como é o processo de transformação de animais que já morreram em peças que parecem ter vida novamente. É uma espécie de empalhamento, cuja técnica requer muito conhecimento para que permaneça conservada por anos como se fossem novas.

1 de setembro de 2010

O Comitê Estadual da Caatinga realiza sua XIX Reunião Ordinária na CPRH em Recife (PE)

Hélio Gurgel, Carla Marcon, Elcio Barros e Marcelo Teixeira
(Foto: CPRH)


A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) sediou a XIX Reunião Ordinária do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco (CERBCCA/PE). O evento foi realizado no último dia 25, no auditório da Agência, e contou com a abertura do diretor presidente da CPRH, Hélio Gurgel, que deu as boas-vindas aos participantes. Na pauta da reunião, assuntos como a leitura da Ata da XVI Reunião Ordinária, palestra sobre as ações do Instituto Chico Mendes (ICMbio) e eleição para a gestão 2010/2012.
Hélio Gurgel falou sobre as atribuições da CPRH, enfatizando os cuidados que a Agência vem empreendendo na busca pela preservação da caatinga, além de destacar a importância desse bioma no meio ambiente. "A nossa preocupação data de muito tempo. É um elemento atávico porque, de alguma forma, temos nossas raízes na caatinga. A busca pelo desenvolvimento com enfoque nessa preservação é uma questão crucial e isso nos traz a certeza de que somente políticas adequadas podem trazer resultados positivos para o bioma, não apenas em Pernambuco, como também em todo o Nordeste", pontuou.
O evento foi conduzido pelo secretário executivo do Comitê, Marcelo Teixeira, e pelo coordenador Elcio Barros, que elogiou o trabalho que vem sendo realizado pela atual gestão do órgão ambiental no Estado. "A CPRH é uma parceira para alcançarmos nosso objetivo de lutar pela preservação da caatinga", disse. Em seguida, o secretário executivo procedeu a leitura da Ata, que foi aprovada por unanimidade pelos membros do conselho.
Houve ainda a apresentação de uma palestra com enfoque nas ações do ICMbio, proferida pela coordenadora regional (CR 6) do Instituto Chico Mendes (ICMbio), Carla Marcon. Ela fez uma explanação sobre a atuação do instituto e as ações realizadas com sucesso, além de enfocar a situação das unidades de conservação federais.
Outro assunto abordado na reunião foi o Projeto de Valorização do Bioma Caatinga, que será iniciado na próxima semana. O projeto consiste no desenvolvimento de ações de Educação Ambiental em 17 municípios da Região do Pajeú, atendendo aos professores das redes municipal e estadual de ensino, além de ambientalistas. As atividades vão ocorrer em três meses e, após esse período, será instituído o primeiro subcomitê do bioma da caatinga. O objetivo é promover mais visibilidade e multiplicar o número de pessoas envolvidas nessa questão. Dessa forma, as ações do comitê para a preservação do bioma serão ainda mais fortalecidas, contando com efetiva participação da CPRH.
(Fonte: Núcleo de Comunicação Social e Educação Ambiental/CPRH)

27 de agosto de 2010

O VALE DO CATIMBAU.



Ótima reportagem da Rede Globo feita por Francisco José sobre o Vale do Catimbau. Neste Vale são mais de 90 mil hectares que abrigam cavernas, canyons, vegetação nativa de caatinga e importantes sítios arqueológicos.
Região de caatinga, com grande biodiversidade, localizada a 295 km do Recife, com extensos paredões de granito, abriga várias cavernas, canyons e sítios arqueológicos com inscrições rupestres. É um importante patrimônio cultural e natural esculpido pela Natureza há mais de 150 milhões de anos.
A região do Vale do Catimbau se estende entre os municípios de Buíque, Tupanatinga, Inajá e Ibimirim, no Sertão do Moxotó, tem 90 mil hectares e está em processo de transformação, por parte do governo federal, em Unidade de Conservação de Proteção Integral. Será o segundo maior parque arqueológico do Brasil, ficando atrás apenas da Serra do Capivara, no Piauí.
O Vale abriga 23 sítios arqueológicos com grafismos rupestres já catalogados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, de acordo com pesquisas realizadas pelo arqueólogo Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco, a presença humana na região é datada de seis mil anos.
Entre os sítios arqueológicos do Vale, um dos mais importantes é o de Alcobaça, localizado a 20 km da sede do município de Buíque. Situado em um paredão rochoso, este sítio tem configuração de um anfiteatro, onde foram encontradas pinturas rupestres ocupando uma área de 50 metros de extensão por largura que varia de dois a três metros.
Os grafismos, de acordo com estudos de Gislane Rocha, Fabiano Brito e Paulo Roberto Gouveia, foram feitos por diversos grupos étnicos que viveram na região em épocas diferentes e utilizaram várias técnicas de pintura.
No Vale, ainda vivem remanescentes de tribos indígenas. E uma outra grande riqueza da região é a extensa reserva de vegetação típica de caatinga, característica do semi-árido nordestino.
São pequenas árvores retorcidas, geralmente espinhosas, de aspecto seco, raízes muito desenvolvidas, grossas e penetrantes. Durante a estação seca, essas árvores perdem as folhas, para melhor resistir à estiagem, retomando seu verde logo com a primeira chuva.

(Fonte: Vale do Catimbau)

23 de agosto de 2010

Devastação controlável


A Região Nordeste corre grande risco de virar deserto.

A colunista ressalta que o país se descuida com a caatinga.


Um balanço da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18) aponta a consolidação do bioma Caatinga na agenda internacional conduzida pela Organização das Nações Unidas.
As conferências, os debates e as informações difundidas no evento com duração de uma semana serviram, também, para um confronto sobre os avanços conseguidos nas questões da natureza e o infinito de problemas ainda pendentes.
De todo modo, não deixam de ser significativas as proposições incorporadas ao documento final da cúpula do meio ambiente, de modo especial, a ideia de formação de uma parceria entre os países dotados de grandes regiões semiáridas no Planeta.
A aliança, comprometendo os líderes governamentais engajados no esforço pelo desenvolvimento dessas áreas, visaria à geração de meios para a sobrevivência das populações submetidas às severas mudanças climáticas previstas para os próximos anos, com sinais antecipados visíveis.
Um estudo do Ministério do Meio Ambiente, difundido na Conferência, mostrou a devastação do semiárido brasileiro, da ordem de 0,4% de sua área, a cada ano. Como 11% do território nacional são constituídos por terras áridas, a destruição ganha proporções preocupantes.
Para os especialistas da Embrapa, há necessidade de se identificar quais são os reflexos causados do bioma Caatinga, seus fatores característicos, com baixos teores naturais, baixa capacidade de retenção de água e aumento dos efeitos da entropia nesses sistemas.
O processo de degradação das terras secas alcança mais de 20 milhões de hectares, 62%dos quais classificados como situados em intenso desmonte ambiental. O Ceará integra os núcleos mais afetados com Irauçuba; Pernambuco, com Cabrobó; o Piauí, com Gilbués; e o Rio Grande do Norte, com o Seridó. A reversão desse processo exige mudanças comportamentais, investimentos públicos constantes e modificação nos sistemas produtivos, a partir da recuperação dos solos.
A convenção internacional do clima, entre muitos ganhos, antecipou as preocupações dos especialistas com o futuro próximo. Para a comunidade científica, os efeitos das mudanças climáticas, embora afetem todas as regiões do mundo, serão mais graves nas terras áridas e semiáridas por atingirem a produção.
Com certeza, elas irão alimentar conflitos, aumentar os fluxos migratórios e provocar novas enfermidades.
O Ceará comprovou, na prática, como intervir nesse universo de incertezas. O Estado expôs uma proposta de formulação do Fundo Estadual de Combate à Desertificação, para congregar recursos de variadas fontes destinados a financiar ações no seu território, quase totalmente dominado pela aridez.
O certame internacional revelou perspectivas sombrias para o meio ambiente, começando pelas transformações ditadas pelo clima. Entretanto, a presença dos organismos multilaterais e das agências internacionais de financiamento sugere o emprego de recursos tecnológicos já desenvolvidos para mudar as feições das terras calcinadas. Agora, os governantes, a academia e os especialistas precisam colocar em prática as soluções para atenuar o agravamento das secas.

Mudanças climáticas agravam seca no Nordeste e criam quatro desertos na região.

Marcado nos últimos meses por temporais, enchentes e tremores de terra, o Nordeste sofre com um mal silencioso que pode causar prejuízos ainda mais sérios à população que mora no semiárido: a desertificação. O processo atinge oito dos nove Estados da região, além do norte de Minas Gerais. (Carlos Madeiro - Especial para o UOL Notícias )

Segundo estudos, o clima no semiárido está cada vez mais seco, a temperatura máxima da região tem apresentado aumento significativo e as áreas sofrem com chuvas mais intensas, mas com intervalos maiores que a média histórica. Com as mudanças climáticas, quatro áreas desertificadas já foram identificadas por análises recentes.Segundo relatório do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, realizado por um instituto ligado a OEA (Organização dos Estados Americanos), a área afetada de forma “muito grave” no Brasil chega a atingir 98.595 km², ou 10% do semiárido brasileiro. Desse total, quatro são os chamados "núcleos de desertificação", que estão nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE), além da região de Seridó (RN), totalizando uma área de 18.743,5 km² (equivalente a 2.082 campos de futebol).“Essa áreas já podem ser consideradas desertos e pior: estão se expandindo. Isso choca, mas é real”, afirmou o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, localizado na Universidade Federal de Alagoas.De acordo com o PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, ligado Ministério do Meio Ambiente), 1.482 municípios estão em área suscetível à desertificação em nove Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais). Essa área responde por 15,7% do território brasileiro, onde moram 31,6 milhões de pessoas.Para o PAN, entre as principais causas do avanço da desertificação no país estão o extrativismo, o desmatamento desordenado, as queimadas e uso intensivo do solo na agricultura.“Para diminuir o avanço da desertificação são necessários medidas como conservação do solo, da água e das florestas, ações para evitar desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos, e sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais”, afirmou Humberto Barbosa.Segundo ele, há métodos para reduzir o avanço da desertificação no semiárido. “O caminho a percorrer é longo. A lógica é defender a prevenção, e aspectos como democratização da informação, formação voltada a uma melhor compreensão sobre as terras secas, participação qualificada, além de fortalecimento institucional e das instâncias de participação”, analisou o meteorologista.Aumento de temperaturaSe as imagens de satélite apontam para um intenso processo de desertificação, outros estudos em solo também mostram que as mudanças climáticas no semiárido brasileiro estão em curso. Um estudo realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco, aponta que as temperaturas médias das cidades fora do litoral estão aumentando de forma rápida. Em 40 anos, por exemplo, cidades como Vitória de Santo Antão, na zona da mata pernambucana, registrou um aumento de 3,5°C (31,5ºC para 35ºC) na temperatura máxima diária. Enquanto isso, o estudo aponta que aumento médio da temperatura mundial, no mesmo período, foi de 0,4°C.“Os dados mostram que a tendência de aumento das temperaturas máximas está presente nas séries históricas de todos os postos estudados. Amparados por outros aspectos relativos ao solo e vegetação, não estudados, tais constatações poderiam indicar que a região estivesse sofrendo um processo de desertificação. Mas esta afirmativa no momento ainda seria precipitada com base somente nos dados e métodos utilizados”, afirmou pesquisador do Inpe Paulo Nobre.Além do aumento da temperatura, Nobre explica que as pesquisas apontam que as chuvas na região estão ficando mais intensas, porém, com períodos de estiagens mais longos, e o ar está cada vez mais seco.
(Fonte: por João Suassuna — Última modificação 20/08/2010 11:55 - REMA)