30 de setembro de 2009

A PEDRA DO CACHORRO - Referência em aventura e preservação ambiental

HISTÓRICO DA RPPN PEDRA DO CACHORRO

Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra do Cachorro

Proprietário: Guaraci Cardoso

A Pedra do Cachorro é um dos pontos mais altos do Estado de Pernambuco, está localizada no município de São Caetano a 153 km da capital Recife, no final da duplicação da BR 232. Da sede do município até a RPPN são 18 km em estrada de terra.

Guaraci Cardoso conheceu a Pedra do Cachorro acompanhando amigos de Recife que foram convidados por um grupo de São Caetano, os Anjos da Mata. Por ter gostado do local continuou a visitá-lo, ocorre que naquela época existia um domínio da Pedra por grupos desorganizados de baderneiros e usuários de drogas que intimidavam as outras pessoas com gritos, palavrões de insultos, pichações e fogo na vegetação afugentando assim os bem intencionados com a preservação do meio ambiente. Entendendo que dessa forma a beleza do local seria destruída, Guaraci Cardoso pegou pra si a defesa do mesmo. Externando essa vontade para moradores do entorno ouviu a proposta: “Por que você não compra o terreno? Está a venda”. Após longa negociação foi adquirido por compra a propriedade denominada Riacho da Onça com 23 hectares. No ano de 1998. Nessa propriedade está todo o caminho usado para a subida, a fenda que da acesso ao topo e a parte mais íngreme da face Sul da Pedra, onde atualmente existe duas vias de escalada, a luta começava. Fazer o que agora? Primeiro passo, uma placa identificando o local como propriedade privada. Essa placa foi cortada a tiros por vândalos que não gostaram da idéia. Segundo passo, ir ao IBAMA solicitar informação como garantir a preservação da propriedade. Orientação, transformar em RPPN. Sugestão prontamente aceita, documentação toda em dias, falta à planta topográfica georeferenciada. Primeiro obstáculo, isso custa caro. O pedido de reconhecimento requer justificativa, no nosso caso proteger a beleza da Pedra do Cachorro. Na primeira visita técnica a primeira decepção os fiscais não acharam essa beleza toda e tinham razão, só nós acreditávamos na recuperação da área, na realidade o local era extremamente degradado. O processo se arrasta, por falta da planta topográfica mais de um ano e meio até que por encaminhamento do Dr. Façanha do IBAMA chegamos ao Dr. Agnaldo da CPRH que é cartógrafo e nos possibilitou a planta. O Dr. Agnaldo não cobrou nada pelo trabalho. Como forma de agradecimento entramos com outro pedido de reconhecimento. A CPRH tem competência para fazer o reconhecimento assim como o IBAMA, nossa nova justificativa: reconhecer a propriedade como RPPN para proteger a biodiversidade da caatinga, ecossistema que só existe no Brasil. Pouco mais de 45 dias recebemos o titulo de RPPN, 08 de junho de 2001, primeira reserva de caatinga reconhecida pelo Governo de Pernambuco, para homenagear a Pedra trocamos o nome da propriedade de Riacho da Onça para Pedra do Cachorro.

Na RPPN os trabalhos continuavam, Educação Ambiental com o entorno, com as escolas, com visitantes. Esse assunto, entretanto, encontrou resistência pelos baderneiros visitantes e pelo menos três registros de ameaça de morte tivemos que efetuar na delegacia de São Caetano. Recuperação de áreas degradadas, sementeira para produzir mudas, visitas de universidades, do Banco do Brasil, Pro-Jovem, Primavera dos Museus, treinamento de militares, visitantes do exterior: noruegueses, americanos, japoneses, suíços, franceses. E a nossa grande parceira, a UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), pesquisa cientifica. O prêmio Vasconcelos Sobrinho em 2008, mais uma vitória. Atualmente a Pedra do Cachorro é cartão postal de São Caetano e se tornou principal ponto turístico do município.


Créditos: Ana Jéssica Cardoso

15 de janeiro de 2009

Caminhada na Pedra do Cachorro

CAATINGA

O bioma Caatinga é o principal ecossistema existente na Região Nordeste do Brasil, ocupa mais de 75% de sua área, estendendo-se pelo domínio de climas semi-áridos, numa área de 80.000.000 ha, 6,84% do território nacional: ocupa os estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Maranhão e o norte de Minas Gerais.Cerca de 28 milhões de brasileiros vivem na região coberta pela Caatinga, em quase 800 mil km². A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo. O termo Caatinga é originário do tupi-guarani e quer dizer “mata branca”.
FAUNA

As espécies da Caatinga somam mais de 4.230. A biodiversidade da Caatinga, no entanto, é a menos conhecida no um mundo. Levantamentos sobre a fauna do domínio da Caatinga revelam a existência de 41 espécies de lagartos, 7 espécies de anfibenídeos (espécies de lagartos sem pés), 45 espécies de serpentes, 4 de quelônios, uma de Crocodylia, 44 anfíbios anuros e uma de Gymnophiona. Os níveis de endemismo também surpreenderam os pesquisadores. Das 48 espécies de lagartos e cobras-de-duas-cabeças (anfisbenas), 16 são somente encontradas na Caatinga. Isso equivale a um índice de quase 40% de endemismo. Reunindo anfíbios e répteis, o índice é de 15%. Há 148 mamíferos registrados para a Caatinga, 10 são endêmicos. O endemismo mais surpreendente, no entanto, é o dos peixes. A maioria é exclusiva da região. Entre as aves, o índice de endemismo é menor. Das 348 espécies registradas apenas 15 são endêmicas. Em compensação, a Caatinga abriga 20 em risco de extinção, das quais duas estão entre as aves ameaçadas do mundo, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). A primeira é exclusiva de Curaçá, na Bahia. A segunda, do Raso da Catarina, no mesmo estado.
FLORA


A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo ( 8 a 12 metros ), arbustivo ( 2 a 5 metros ) e o herbáceo ( abaixo de 2 metros ). A vegetação adaptou-se ao clima seco para se proteger. As folhas, por exemplo, são finas ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cactos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do solo para absorver o máximo de chuva. A Caatinga é dominada por tipos de vegetação com características xerofíticas – formações vegetais secas, que compõem uma paisagem cálida e espinhosa – com estratos compostos por gramíneas, arbustos e árvores de porte baixo ou médio ( 3 a 7 metros de altura ), caducifólias ( folhas que caem ), com grande quantidade de plantas espinhosas ( exemplo: leguminosas ), entremeadas de outras espécies como as cactáceas e as bromeliáceas. Algumas plantas têm as folhas muito finas. Os espinhos dos cactos são o estremo deste tipo de folha. Outras têm sistema de armazenamento de água, como as barrigudas. Às vezes cobrem a superfície do solo, para capturar o máximo de água durante as chuvas leves. As espécies mais abundantes incluem a palma, palminha, quipá, mandacaru, xique-xique, coroa de frade, macambira, jurema, umbu, emburana, maniçoba, mimosa, catingueira, marmeleiro, canafístula, pata-de-vaca, perero, quixabeira, favela de galinha, burra leiteira, barriguda, mulungu, anjico, baraúna, aroeira e o juazeiro, uma das poucas que não perdem suas folhas durante a seca.


A Caatinga, conta com 318 espécies de plantas endêmicas, ou seja, que não são encontradas em outros ecossistemas. O número – quase o dobro citado no último levantamento do tipo, há dez anos – é uma das informações contidas no livro Vegetação e Flora da Caatinga que foi lançado em agosto de 2002, durante o qüinquagésimo terceiro Congresso Nacional de Botânica, no centro de convenções, em Olinda - Pernambuco. As plantas endêmicas pertencem a 18 gêneros de 42 famílias botânicas distintas. A família mais bem representada na lista é a das leguminosas, com 80 plantas. Em seguida está a das cactáceas, com 41 espécies. Entre as cactáceas endêmicas estão o mandacaru ( Cereus Jamacaru ) e a coroa de frade (Melocáctus Oreas).
COMENTÁRIOS SOBRE A SECA

O aspecto agressivo da vegetação contrasta com o colorido diversificado das flores emergentes no período das chuvas, cujo índice pluviométrico varia entre 300 e 800 milímetros anualmente. Quando chega o mês de agosto, parece que a natureza morreu. Não se vêem nuvens no céu, a umidade do ar é mínima, a água chega a evaporar 7mm por dia e a temperatura do solo pode atingir 60°C. As folhas da maioria das árvores já caíram e assim, o gado e os animais nativos, como a ema, o preá, o mocó e o camaleão, começam a emagrecer. As únicas cores vivas estão nas flores douradas do cajueiro, nos cactus e juazeiros. A maioria dos rios pára de correr e as lagoas começam a secar. A ocorrência de secas estacionais e periódicas (a estiagem pode durar de sete a nove meses) estabelece regimes intermitentes aos rios e deixa a vegetação sem folhas. Pequenos ramos finos, casca fina, cor esbranquiçada, deixam o sol bater forte no solo. As folhas que caem são consumidas pelo calor sem formar manta florestal.
O solo, de tonalidade clara, fica desprotegido e trinca, racha. As secas são cíclicas e prolongadas, interferindo na maneira decisiva na vida do sertanejo – nome pelo qual é conhecido o típico habitante da Caatinga. Elas prejudicam bastante a produção agrícola e a pecuária, as bases da economia local. Mesmo quando chove, o solo pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada (médias entre 25°C e 29°C) provoca intensa evaporação. Na longa estiagem os sertões são, muitas vezes, semidesertos que, apesar do tempo nublado, não costumam receber chuva. A folhagem das plantas volta a brotar e fica verde nos curtos períodos de chuva (o inverno é uma estação de chuva irregular. Três a cinco meses de verde, ás vezes inundação). A paisagem muda muito rapidamente. As árvores cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas. A fauna volta a engordar.