23 de agosto de 2010

Mudanças climáticas agravam seca no Nordeste e criam quatro desertos na região.

Marcado nos últimos meses por temporais, enchentes e tremores de terra, o Nordeste sofre com um mal silencioso que pode causar prejuízos ainda mais sérios à população que mora no semiárido: a desertificação. O processo atinge oito dos nove Estados da região, além do norte de Minas Gerais. (Carlos Madeiro - Especial para o UOL Notícias )

Segundo estudos, o clima no semiárido está cada vez mais seco, a temperatura máxima da região tem apresentado aumento significativo e as áreas sofrem com chuvas mais intensas, mas com intervalos maiores que a média histórica. Com as mudanças climáticas, quatro áreas desertificadas já foram identificadas por análises recentes.Segundo relatório do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, realizado por um instituto ligado a OEA (Organização dos Estados Americanos), a área afetada de forma “muito grave” no Brasil chega a atingir 98.595 km², ou 10% do semiárido brasileiro. Desse total, quatro são os chamados "núcleos de desertificação", que estão nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE), além da região de Seridó (RN), totalizando uma área de 18.743,5 km² (equivalente a 2.082 campos de futebol).“Essa áreas já podem ser consideradas desertos e pior: estão se expandindo. Isso choca, mas é real”, afirmou o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, localizado na Universidade Federal de Alagoas.De acordo com o PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, ligado Ministério do Meio Ambiente), 1.482 municípios estão em área suscetível à desertificação em nove Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais). Essa área responde por 15,7% do território brasileiro, onde moram 31,6 milhões de pessoas.Para o PAN, entre as principais causas do avanço da desertificação no país estão o extrativismo, o desmatamento desordenado, as queimadas e uso intensivo do solo na agricultura.“Para diminuir o avanço da desertificação são necessários medidas como conservação do solo, da água e das florestas, ações para evitar desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos, e sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais”, afirmou Humberto Barbosa.Segundo ele, há métodos para reduzir o avanço da desertificação no semiárido. “O caminho a percorrer é longo. A lógica é defender a prevenção, e aspectos como democratização da informação, formação voltada a uma melhor compreensão sobre as terras secas, participação qualificada, além de fortalecimento institucional e das instâncias de participação”, analisou o meteorologista.Aumento de temperaturaSe as imagens de satélite apontam para um intenso processo de desertificação, outros estudos em solo também mostram que as mudanças climáticas no semiárido brasileiro estão em curso. Um estudo realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco, aponta que as temperaturas médias das cidades fora do litoral estão aumentando de forma rápida. Em 40 anos, por exemplo, cidades como Vitória de Santo Antão, na zona da mata pernambucana, registrou um aumento de 3,5°C (31,5ºC para 35ºC) na temperatura máxima diária. Enquanto isso, o estudo aponta que aumento médio da temperatura mundial, no mesmo período, foi de 0,4°C.“Os dados mostram que a tendência de aumento das temperaturas máximas está presente nas séries históricas de todos os postos estudados. Amparados por outros aspectos relativos ao solo e vegetação, não estudados, tais constatações poderiam indicar que a região estivesse sofrendo um processo de desertificação. Mas esta afirmativa no momento ainda seria precipitada com base somente nos dados e métodos utilizados”, afirmou pesquisador do Inpe Paulo Nobre.Além do aumento da temperatura, Nobre explica que as pesquisas apontam que as chuvas na região estão ficando mais intensas, porém, com períodos de estiagens mais longos, e o ar está cada vez mais seco.
(Fonte: por João Suassuna — Última modificação 20/08/2010 11:55 - REMA)

19 de agosto de 2010

Semiárido sofre os efeitos da mudança climática.Parte do Nordeste corre risco de virar deserto.

O semiárido nordestino é região de chuva escassa. Mas as mudanças no clima têm causado um desequilíbrio. Os cientistas de 100 países sabem que o local sofrerá mais com o aquecimento global.


Os cientistas estão preocupados: o Sertão não vai virar mar, pode virar deserto. No ano passado, estive na Inglaterra, visitando o Inpe deles, e vi análises sobre cada região do Brasil. E o diagnóstico é definitivo: a região mais frágil do país é exatamente o semiárido nordestino. Como outras áreas do mundo com as mesmas características, corre o risco de virar deserto.

O Brasil tem se descuidado da caatinga, acha que não vale ser protegida. De 2003 a 2008, foram destruídos 16,5 mil km² só nessa região, isso equivale a 10 vezes a cidade de São Paulo. É muito forte o ritmo do desmatamento.

O que os cientistas dizem é que é preciso, para áreas como essas, fazer programas de adaptação, porque alguns pontos não poderão ser revertidos. Tem que proteger, fazer o possível para prevenir e adaptar as populações locais. Por isso, que se fala na criação de um fundo internacional que vai proteger essas regiões, as mais fragilizadas nesse cenário de mudança climática.

18 de julho de 2010

O ICMS Ecológico de Pernambuco e unidades de conservação.

Artigo de Elcio Alves de Barros (Foto)
Engenheiro agrônomo, coordenador do Comitê Estadual da Reserva
da Biosfera da Caatinga do Estado de Pernambuco - CERBCAA/PE.

Leia o artigo na íntegra publicado no Blog Ciência e Meio Ambiente

Vozes do Clima: sertão cada vez mais seco


O aquecimento global ameaça a transformar parte do país em um deserto. Moradores das áreas semi-áridas do Nordeste afirmam que têm sentido mais calor do que o normal nos últimos anos. (Clique na imagem e assista o vídeo)

3 de maio de 2010

Dia Nacional da Caatinga é comemorado pelo CERBCAA/PE

Dia Nacional da Caatinga - Espaço Ciência - Olinda (PE)

Estudantes de ensino médio e técnicos de diversas instituições ligadas à preservação da Caatinga estavam reunidos na manhã de ontem (28), Dia Nacional da Caatinga, no auditório do Espaço Ciência para debater sobre esse bioma tipicamente brasileiro. Projetos de educação ambiental e ações de preservação da Caatinga que serão financiados pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema) também foram apresentados para os participantes. Dos 14 projetos selecionados para financiamento do Fema, seis são relativos ao Bioma Caatinga. Ao todo os 14 projetos receberão um total de R$ 1,1 milhão, somando os recursos do Fema (R$ 705 mil) e os recursos de contrapartida dos proponentes (R$ 399 mil). Cenário de histórias de cangaço, reino de Lampião e dos heróis sertanejos de Ariano Suassuna, terra de ritmos como o xote, o xaxado e o baião, a Caatinga está presente no imaginário popular brasileiro como um local seco, quente, e de vegetação esquisita. Poucos conhecem as riquezas ambientais da região que abriga grande variedade de espécies (anfíbios, repteis, aves) e grande potencial florestal. “A caatinga é um bioma extremamente rico em biodiversidade. O que falta são estudos sobre seus recursos e potencialidades”, afirmou a pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Rita de Cássia Araújo, que fez apresentação sobre a "Flora da Caatinga". A Professora e pesquisadora, Ednilza Maranhão, da UFRPE/UAST, realizou palestra sobre a "Fauna da Caatinga", mostrando fotos das inúmeras espécies que habitam o bioma caatinga, pricipalmente em Serra Talhada e no Vale do Catimbau.O secretário executivo de Meio Ambiente da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e meio Ambiente, Hélvio Polito, lembrou a importância da elaboração do Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca de Pernambuco (PAE-PE) que contempla em suas linhas de ação atividades de preservação da vegetação da caatinga. “A criação de unidades de conservação de proteção integral (aquelas em que não é permitido o corte da vegetação) na caatinga também estão previstas nas ações da política de enfrentamento às mudanças climáticas, que está em tramitação na Alepe”, explicou Hélvio reforçando a necessidade de deter a devastação da caatinga. Segundo o executivo de Meio Ambiente o desmatamento gera perda de biodiversidade e contribui para a emissão de gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. O Coordenador do CERBCAA/PE, Élcio Alves de Barros, destacou as ações do Comitê realizadas no período compreendido entre 28 de abril de 2009 e o Dia Nacional da Caatinga de 2010, destacando a Mostra de Cinema "Bela Caatinga", que foi realizada em 18 município e atingiu um píblico de mais de 10 mil pessoas, exibindos filmes de curta e longa metragem em escolas, associações e em praça pública em em que o cenário é a Caatinga e seus habitantes personagens. Outra ação importante é a discussão para reformulação da lei do ICMS Socioambiental de Pernambuco, para a qual o CERBCAA/PE apresentou sugestões em reunião do CONSEMA, da Comissão de Meio Ambiente da ALEPE - Assembléia Legislativa de Pernambuco, audiência com Secretário Estadual da Fazenda e agora em grupo de TRabalho criado pela Comissãao de Meio Ambiente da ALEPE, enfatizou nosso coordenador que esta questão afeta todos os biomas do nosso Estado, mas, apenas o CERBCAA/PE entre todas entidades ambientalistas, permanece lutando pela revisão desta lei que na forma atual distribui de forma injusta os recursos deste importante instrumento de politica ambiental. Elcio falou também que a criação de Unidades de Conservação na Caatinga é uma prioridade do CERBCAA/PE. O governo de Pernambuco administra mais de 50 Unidades de Conservação, nenhuma na Caatinga. Lembrou que o CERBCAA/PE entregou à Direção da CRPH, no último mês de janeiro, uma relação de propriedades, e seus respectivos proprietários, totalizando uma área de 5.247,50 ha, na Serra da Canoa, município de Floresta (PE), para criação de uma unidade de conservação na bacia do Rio São Francisco, como também a sugestão para que a Serra Talhada, que dá origem ao nome do município e a Pedra do Cachorro em São Caetano sejam área de Unidades de Conservação. Barros falou da inclusão do CERBCAA/PE recentemente como membro do Comitê no Fórum Pernambucano de Mudanças Climáticas, instituído pelo Decreto nº 33.015/2009. Últimamente, o CERBCAA/PE incentivou a participação das suas entidades membros no Edital nº 01/2009 do FEMA - Fundo Estadual do Meio Ambiente, em que dos 14 projetos aprovados, 06 serão realizados no bioma Caatinga, incluindo o de "Valorização do Bioma Caatinga" que visa desenvolver ações de educação ambiental em 17 municípios do Vale do Pajeú e prevê a sua conclusão com a criação do I Subcomitê do CERBCAA/PE.O evento, Comemoração do Dia Nacional da Caatinga contou com a participação de mais de 100 pessoas e foi encerrado as 15:00h pelo Coordenador Estadual do CERBCAA-PE, Elcio Alves de Barros (IPA), pelo Vice-Coordenador Guaraci Cardoso (GDMA) e pelo Secretário Executivo, Marcelo Teixeira (Codevasf).Nossos agradecimentos a todos os que contribuíram para a realização do evento, especialmente a Sectma, APNE, Banco do Nordeste e ao público que homenageou o Dia da Caatinga.

27 de abril de 2010

28 DE ABRIL: VAMOS HOMENAGEAR A CAATINGA.

O 28 de abril foi escolhido em homenagem ao primeiro ecólogo do
Nordeste brasileiro e pioneiro em estudos da caatinga, João Vasconcelos Sobrinho.

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco - CERBCAA-PE, com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SECTMA e a APNE - Associação Plantas do Nordeste, e patrocínio do Banco do Nordeste, estará realizando no próximo dia 28 de abril (quarta-feira) no Auditório do Espaço Ciência, Complexo de Salgadinho, Parque 2, Olinda (PE) o evento comemorativo do Dia Nacional da Caatinga. O tema será: Mudanças Climáticas e Bioma Caatinga. AS INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS e as vagas limitadas. Preencha já seu formulário de inscrição! Clique aqui! (confira a programação).
Em Serra Talhada (PE), a Unidade Avançada da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAST/UFRPE), promoverá no dia 28.04 em seu auditório, a partir das 07:30h o evento com o tema: "Biodiversidade e Sustentabilidade: Uma discussão necessária", constando pela manhã uma homenagem aos Srs.: João Diniz e Homem Bom Magalhães e Ciclo de Palestras. À tarde, a partir das 13h haverá a palestra: “Darwin, Beagle e o Espetáculo da Evolução” (Carlos Saldanha), Exibição de Filmes e encerramento com o Plantio de mudas de plantas nativas. Instituído através de decreto presidencial, de 20 de agosto de 2003, o 28 de abril foi escolhido em homenagem ao primeiro ecólogo do Nordeste brasileiro e pioneiro em estudos da caatinga, o professor João Vasconcelos Sobrinho. Durante muito tempo pensou-se que a caatinga fosse um ecossistema pobre, por isso a escassez de estudos sobre ela.
O patrimônio biológico da caatinga não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo além do Nordeste do Brasil. Inclui áreas do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o Norte de Minas Gerais. São espécies nativas da caatinga ''barriguda'' (Cavanillesia arborea), amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro. A fauna nativa inclui o sapo-cururu, asa-branca, cotia, preá, veado-catingueiro, tatu-peba, sagüi-do-nordeste e cachorro-do-mato.
No entanto, o estudo minucioso da caatinga não trouxe boas notícias. Os pesquisadores constataram que esse é o terceiro ecossistema brasileiro mais degradado, atrás apenas da Mata Atlântica e do cerrado. 50% de sua área foram alterados pela ação humana, sendo que 18% de forma considerada grave por especialistas. A desertificação, encontrada principalmente em áreas onde antes se desenvolvia o plantio de algodão, apresenta-se bastante avançada.
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