3 de maio de 2010

Dia Nacional da Caatinga é comemorado pelo CERBCAA/PE

Dia Nacional da Caatinga - Espaço Ciência - Olinda (PE)

Estudantes de ensino médio e técnicos de diversas instituições ligadas à preservação da Caatinga estavam reunidos na manhã de ontem (28), Dia Nacional da Caatinga, no auditório do Espaço Ciência para debater sobre esse bioma tipicamente brasileiro. Projetos de educação ambiental e ações de preservação da Caatinga que serão financiados pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema) também foram apresentados para os participantes. Dos 14 projetos selecionados para financiamento do Fema, seis são relativos ao Bioma Caatinga. Ao todo os 14 projetos receberão um total de R$ 1,1 milhão, somando os recursos do Fema (R$ 705 mil) e os recursos de contrapartida dos proponentes (R$ 399 mil). Cenário de histórias de cangaço, reino de Lampião e dos heróis sertanejos de Ariano Suassuna, terra de ritmos como o xote, o xaxado e o baião, a Caatinga está presente no imaginário popular brasileiro como um local seco, quente, e de vegetação esquisita. Poucos conhecem as riquezas ambientais da região que abriga grande variedade de espécies (anfíbios, repteis, aves) e grande potencial florestal. “A caatinga é um bioma extremamente rico em biodiversidade. O que falta são estudos sobre seus recursos e potencialidades”, afirmou a pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Rita de Cássia Araújo, que fez apresentação sobre a "Flora da Caatinga". A Professora e pesquisadora, Ednilza Maranhão, da UFRPE/UAST, realizou palestra sobre a "Fauna da Caatinga", mostrando fotos das inúmeras espécies que habitam o bioma caatinga, pricipalmente em Serra Talhada e no Vale do Catimbau.O secretário executivo de Meio Ambiente da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e meio Ambiente, Hélvio Polito, lembrou a importância da elaboração do Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca de Pernambuco (PAE-PE) que contempla em suas linhas de ação atividades de preservação da vegetação da caatinga. “A criação de unidades de conservação de proteção integral (aquelas em que não é permitido o corte da vegetação) na caatinga também estão previstas nas ações da política de enfrentamento às mudanças climáticas, que está em tramitação na Alepe”, explicou Hélvio reforçando a necessidade de deter a devastação da caatinga. Segundo o executivo de Meio Ambiente o desmatamento gera perda de biodiversidade e contribui para a emissão de gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. O Coordenador do CERBCAA/PE, Élcio Alves de Barros, destacou as ações do Comitê realizadas no período compreendido entre 28 de abril de 2009 e o Dia Nacional da Caatinga de 2010, destacando a Mostra de Cinema "Bela Caatinga", que foi realizada em 18 município e atingiu um píblico de mais de 10 mil pessoas, exibindos filmes de curta e longa metragem em escolas, associações e em praça pública em em que o cenário é a Caatinga e seus habitantes personagens. Outra ação importante é a discussão para reformulação da lei do ICMS Socioambiental de Pernambuco, para a qual o CERBCAA/PE apresentou sugestões em reunião do CONSEMA, da Comissão de Meio Ambiente da ALEPE - Assembléia Legislativa de Pernambuco, audiência com Secretário Estadual da Fazenda e agora em grupo de TRabalho criado pela Comissãao de Meio Ambiente da ALEPE, enfatizou nosso coordenador que esta questão afeta todos os biomas do nosso Estado, mas, apenas o CERBCAA/PE entre todas entidades ambientalistas, permanece lutando pela revisão desta lei que na forma atual distribui de forma injusta os recursos deste importante instrumento de politica ambiental. Elcio falou também que a criação de Unidades de Conservação na Caatinga é uma prioridade do CERBCAA/PE. O governo de Pernambuco administra mais de 50 Unidades de Conservação, nenhuma na Caatinga. Lembrou que o CERBCAA/PE entregou à Direção da CRPH, no último mês de janeiro, uma relação de propriedades, e seus respectivos proprietários, totalizando uma área de 5.247,50 ha, na Serra da Canoa, município de Floresta (PE), para criação de uma unidade de conservação na bacia do Rio São Francisco, como também a sugestão para que a Serra Talhada, que dá origem ao nome do município e a Pedra do Cachorro em São Caetano sejam área de Unidades de Conservação. Barros falou da inclusão do CERBCAA/PE recentemente como membro do Comitê no Fórum Pernambucano de Mudanças Climáticas, instituído pelo Decreto nº 33.015/2009. Últimamente, o CERBCAA/PE incentivou a participação das suas entidades membros no Edital nº 01/2009 do FEMA - Fundo Estadual do Meio Ambiente, em que dos 14 projetos aprovados, 06 serão realizados no bioma Caatinga, incluindo o de "Valorização do Bioma Caatinga" que visa desenvolver ações de educação ambiental em 17 municípios do Vale do Pajeú e prevê a sua conclusão com a criação do I Subcomitê do CERBCAA/PE.O evento, Comemoração do Dia Nacional da Caatinga contou com a participação de mais de 100 pessoas e foi encerrado as 15:00h pelo Coordenador Estadual do CERBCAA-PE, Elcio Alves de Barros (IPA), pelo Vice-Coordenador Guaraci Cardoso (GDMA) e pelo Secretário Executivo, Marcelo Teixeira (Codevasf).Nossos agradecimentos a todos os que contribuíram para a realização do evento, especialmente a Sectma, APNE, Banco do Nordeste e ao público que homenageou o Dia da Caatinga.

27 de abril de 2010

28 DE ABRIL: VAMOS HOMENAGEAR A CAATINGA.

O 28 de abril foi escolhido em homenagem ao primeiro ecólogo do
Nordeste brasileiro e pioneiro em estudos da caatinga, João Vasconcelos Sobrinho.

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco - CERBCAA-PE, com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SECTMA e a APNE - Associação Plantas do Nordeste, e patrocínio do Banco do Nordeste, estará realizando no próximo dia 28 de abril (quarta-feira) no Auditório do Espaço Ciência, Complexo de Salgadinho, Parque 2, Olinda (PE) o evento comemorativo do Dia Nacional da Caatinga. O tema será: Mudanças Climáticas e Bioma Caatinga. AS INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS e as vagas limitadas. Preencha já seu formulário de inscrição! Clique aqui! (confira a programação).
Em Serra Talhada (PE), a Unidade Avançada da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAST/UFRPE), promoverá no dia 28.04 em seu auditório, a partir das 07:30h o evento com o tema: "Biodiversidade e Sustentabilidade: Uma discussão necessária", constando pela manhã uma homenagem aos Srs.: João Diniz e Homem Bom Magalhães e Ciclo de Palestras. À tarde, a partir das 13h haverá a palestra: “Darwin, Beagle e o Espetáculo da Evolução” (Carlos Saldanha), Exibição de Filmes e encerramento com o Plantio de mudas de plantas nativas. Instituído através de decreto presidencial, de 20 de agosto de 2003, o 28 de abril foi escolhido em homenagem ao primeiro ecólogo do Nordeste brasileiro e pioneiro em estudos da caatinga, o professor João Vasconcelos Sobrinho. Durante muito tempo pensou-se que a caatinga fosse um ecossistema pobre, por isso a escassez de estudos sobre ela.
O patrimônio biológico da caatinga não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo além do Nordeste do Brasil. Inclui áreas do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o Norte de Minas Gerais. São espécies nativas da caatinga ''barriguda'' (Cavanillesia arborea), amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro. A fauna nativa inclui o sapo-cururu, asa-branca, cotia, preá, veado-catingueiro, tatu-peba, sagüi-do-nordeste e cachorro-do-mato.
No entanto, o estudo minucioso da caatinga não trouxe boas notícias. Os pesquisadores constataram que esse é o terceiro ecossistema brasileiro mais degradado, atrás apenas da Mata Atlântica e do cerrado. 50% de sua área foram alterados pela ação humana, sendo que 18% de forma considerada grave por especialistas. A desertificação, encontrada principalmente em áreas onde antes se desenvolvia o plantio de algodão, apresenta-se bastante avançada.
Leia mais no BLOG DA CAATINGA

30 de setembro de 2009

A PEDRA DO CACHORRO - Referência em aventura e preservação ambiental

HISTÓRICO DA RPPN PEDRA DO CACHORRO

Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra do Cachorro

Proprietário: Guaraci Cardoso

A Pedra do Cachorro é um dos pontos mais altos do Estado de Pernambuco, está localizada no município de São Caetano a 153 km da capital Recife, no final da duplicação da BR 232. Da sede do município até a RPPN são 18 km em estrada de terra.

Guaraci Cardoso conheceu a Pedra do Cachorro acompanhando amigos de Recife que foram convidados por um grupo de São Caetano, os Anjos da Mata. Por ter gostado do local continuou a visitá-lo, ocorre que naquela época existia um domínio da Pedra por grupos desorganizados de baderneiros e usuários de drogas que intimidavam as outras pessoas com gritos, palavrões de insultos, pichações e fogo na vegetação afugentando assim os bem intencionados com a preservação do meio ambiente. Entendendo que dessa forma a beleza do local seria destruída, Guaraci Cardoso pegou pra si a defesa do mesmo. Externando essa vontade para moradores do entorno ouviu a proposta: “Por que você não compra o terreno? Está a venda”. Após longa negociação foi adquirido por compra a propriedade denominada Riacho da Onça com 23 hectares. No ano de 1998. Nessa propriedade está todo o caminho usado para a subida, a fenda que da acesso ao topo e a parte mais íngreme da face Sul da Pedra, onde atualmente existe duas vias de escalada, a luta começava. Fazer o que agora? Primeiro passo, uma placa identificando o local como propriedade privada. Essa placa foi cortada a tiros por vândalos que não gostaram da idéia. Segundo passo, ir ao IBAMA solicitar informação como garantir a preservação da propriedade. Orientação, transformar em RPPN. Sugestão prontamente aceita, documentação toda em dias, falta à planta topográfica georeferenciada. Primeiro obstáculo, isso custa caro. O pedido de reconhecimento requer justificativa, no nosso caso proteger a beleza da Pedra do Cachorro. Na primeira visita técnica a primeira decepção os fiscais não acharam essa beleza toda e tinham razão, só nós acreditávamos na recuperação da área, na realidade o local era extremamente degradado. O processo se arrasta, por falta da planta topográfica mais de um ano e meio até que por encaminhamento do Dr. Façanha do IBAMA chegamos ao Dr. Agnaldo da CPRH que é cartógrafo e nos possibilitou a planta. O Dr. Agnaldo não cobrou nada pelo trabalho. Como forma de agradecimento entramos com outro pedido de reconhecimento. A CPRH tem competência para fazer o reconhecimento assim como o IBAMA, nossa nova justificativa: reconhecer a propriedade como RPPN para proteger a biodiversidade da caatinga, ecossistema que só existe no Brasil. Pouco mais de 45 dias recebemos o titulo de RPPN, 08 de junho de 2001, primeira reserva de caatinga reconhecida pelo Governo de Pernambuco, para homenagear a Pedra trocamos o nome da propriedade de Riacho da Onça para Pedra do Cachorro.

Na RPPN os trabalhos continuavam, Educação Ambiental com o entorno, com as escolas, com visitantes. Esse assunto, entretanto, encontrou resistência pelos baderneiros visitantes e pelo menos três registros de ameaça de morte tivemos que efetuar na delegacia de São Caetano. Recuperação de áreas degradadas, sementeira para produzir mudas, visitas de universidades, do Banco do Brasil, Pro-Jovem, Primavera dos Museus, treinamento de militares, visitantes do exterior: noruegueses, americanos, japoneses, suíços, franceses. E a nossa grande parceira, a UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), pesquisa cientifica. O prêmio Vasconcelos Sobrinho em 2008, mais uma vitória. Atualmente a Pedra do Cachorro é cartão postal de São Caetano e se tornou principal ponto turístico do município.


Créditos: Ana Jéssica Cardoso

15 de janeiro de 2009

Caminhada na Pedra do Cachorro

CAATINGA

O bioma Caatinga é o principal ecossistema existente na Região Nordeste do Brasil, ocupa mais de 75% de sua área, estendendo-se pelo domínio de climas semi-áridos, numa área de 80.000.000 ha, 6,84% do território nacional: ocupa os estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Maranhão e o norte de Minas Gerais.Cerca de 28 milhões de brasileiros vivem na região coberta pela Caatinga, em quase 800 mil km². A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo. O termo Caatinga é originário do tupi-guarani e quer dizer “mata branca”.
FAUNA

As espécies da Caatinga somam mais de 4.230. A biodiversidade da Caatinga, no entanto, é a menos conhecida no um mundo. Levantamentos sobre a fauna do domínio da Caatinga revelam a existência de 41 espécies de lagartos, 7 espécies de anfibenídeos (espécies de lagartos sem pés), 45 espécies de serpentes, 4 de quelônios, uma de Crocodylia, 44 anfíbios anuros e uma de Gymnophiona. Os níveis de endemismo também surpreenderam os pesquisadores. Das 48 espécies de lagartos e cobras-de-duas-cabeças (anfisbenas), 16 são somente encontradas na Caatinga. Isso equivale a um índice de quase 40% de endemismo. Reunindo anfíbios e répteis, o índice é de 15%. Há 148 mamíferos registrados para a Caatinga, 10 são endêmicos. O endemismo mais surpreendente, no entanto, é o dos peixes. A maioria é exclusiva da região. Entre as aves, o índice de endemismo é menor. Das 348 espécies registradas apenas 15 são endêmicas. Em compensação, a Caatinga abriga 20 em risco de extinção, das quais duas estão entre as aves ameaçadas do mundo, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). A primeira é exclusiva de Curaçá, na Bahia. A segunda, do Raso da Catarina, no mesmo estado.