18 de janeiro de 2011

As águas poluídas em áreas de caatinga no Nordeste.

Nesta fotografia podemos ver a água escura de um riacho da caatinga.
A fotografia foi obtida no dia 22 de janeiro de 2004 no município de Petrolina, PE.


A água por natureza não pode ter cor, cheiro ou sabor, contudo quando ocorre às enxurradas em córregos, ribeirões e rios da caatinga, normalmente a água apresenta uma coloração barrenta. Essa coloração ocorre em função das partículas do solo em suspensão, principalmente logo após as chuvas torrenciais que levam terra para assorear os rios e riachos. Assim, logo que ocorrem chuvas, pode-se ver essa água barrenta que também é chamada pelos agricultores de água nova. Por outro lado, alguns pequenos riachos da caatinga que cortam as áreas de irrigação no município de Petrolina, PE não apresentam mais essa característica, pois quando essa água encontra as lagoas formadas pela drenagem das áreas irrigadas toma a coloração escura, turva, esverdeada. Essa tonalidade pode ser em função do uso excessivo de matéria orgânica, fertilizantes e defensivos agrícolas nas áreas de irrigação.

19 de outubro de 2010

O manejo da caatinga

Foto: Edilton Araújo



Por Ricardo Braga (*)

A caatinga é o único bioma exclusivamente nordestino, não ocorrendo em qualquer outro lugar do mundo. Isso significa que, se não cuidarmos dela, dificilmente outros cuidarão. A partir de estudos mais recentes, tem-se evidenciada a sua importância em biodiversidade, não se constituindo meramente em uma uniforme “mata branca”, mas de múltiplos ecossistemas e fisionomias vegetacionais, que guardam espécies endêmicas e muitas delas ameaçadas de extinção.

Mas, desde muito tempo, a vegetação de caatinga é conhecida do sertanejo, sendo sua companheira e auxiliar na sobrevivência no semiárido, produzindo alimentos, forragem para o gado, produtos madeireiros e disponibilizando uma vital fonte energética, tanto para consumo doméstico quanto para atividades produtivas.

Mesmo diante do entendimento mais amplo da sua importância, as pressões que a levam à destruição continuam a ocorrer. São os fornos das olarias, casas de farinha, padarias, churrascarias e calcinadoras de gesso, essas na região do Araripe. O consumo de lenha e carvão continua a ter predominante participação na matriz energética do semiárido nordestino. Para mudar esta base energética, será preciso disponibilizar novas fontes de energia, necessariamente mais limpas e que, ao mesmo tempo, não sejam socialmente excludentes.


A vegetação de caatinga tem um porte geralmente baixo e apresenta enorme capacidade de rebrotar quando cortados e reagem rapidamente às primeiras chuvas


Porém, quando se pensa em exploração florestal, para fins energéticos ou não, tem-se uma profunda desconfiança sobre os seus resultados ambientais, nada sustentáveis. Motivos não faltam para essa descrença. Primeiro, o Brasil não tem tradição de manejo florestal de vegetação nativa, sendo comuns o desmate e a imediata substituição do uso da terra, sem possibilitar a recomposição da vegetação original. Segundo, as experiências vindas da Amazônia e da Mata Atlântica ou são muito incipientes ou foram negativas.

Assim, é preciso vencer essa desconfiança e atuar em bases técnicas seguras e com monitoramento das novas experiências que estão surgindo no semiárido, com manejo de caatinga na região de beneficiamento da gipsita.

A vegetação de caatinga tem um porte geralmente baixo, mas com uma grande quantidade de indivíduos arbóreos, que apresentam enorme capacidade de rebrotar quando cortados e reagem rapidamente às primeiras chuvas. Segundo os especialistas, uma vegetação cortada leva de 9 a 14 anos para voltar ao porte original, inclusive em biomassa. Isso evidencia forte resiliência, ou capacidade de autoafirmação biológica, embora seja esperado um empobrecimento gradativo da biodiversidade se não forem tomados cuidados que minimizem esse efeito adverso.

Por isso, o manejo não deve ser realizado em áreas de preservação e, sim, onde é legalmente aceitável se desmatar para fazer agricultura ou pecuária. Nesse caso, o ganho com o manejo é evidente porque manteria a vegetação de caatinga, mesmo que em processo de explotação.

Além disso, essa vegetação é forte manancial para produtos não madeireiros, como frutos para produção de polpa, geleia, compota, doce, ou mesmo in natura (umbu, caju e murici); para fabrico de artesanato, como aqueles com fibra do caruá, em bolsas, cintos e jogos de mesa; para produção de biojóias, como brincos, colares, pulseiras, arranjos em sandálias e chaveiros; e ainda, para usos medicinais, como em sabonetes, xaropes naturais, hidratantes e cremes.

O segredo, portanto, é encontrar o ponto de equilíbrio, que leve à sustentabilidade ecológica, econômica e social no bioma caatinga. Isso não exclui sequer o plantio e manejo de árvores exóticas, que também podem ser fonte energética, desde que isso não implique em mais desmatamentos de nativas.
Fonte: JC Online
(*) RICARDO BRAGA é ambientalista, professor da UFPE e ex-secretário executivo de Meio Ambiente de Pernambuco. E-mail: ricardobraga.jc@gmail.com

11 de outubro de 2010

RPPN Pedra do Cachorro é vistoriada para ser o primeiro Posto Avançado na Caatinga em Pernambuco.



A Pedra do Cachorro pode se transformar no primeiro Posto Avançado
da Caatinga no Estado de Pernambuco
O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA-PE, encaminhou no dia 26 de fevereiro de 2009, proposta de criação do primeiro Posto Avançado da reserva da Biosfera da Caatinga em Pernambuco à direção do Conselho Nacional da RBCAA. A entidade indicada foi a Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra do Cachorro (foto acima), no município de São Caetano, de propriedade do Senhor Raimundo Guaracy Cardoso. A RPPN Pedra do Cachorro recebeu este titulo em 2001 e desenvolve ações de preservação da natureza, educação ambiental e eco-turismo. A expectativa do Comitê é de que o CNRBCAA conceda o titulo de Posto Avançado, após a visita técnica da Professora Maria de Pompéia Coêlho a Pedra do Cachorro no último dia 07 de outubro (quinta-feira). Postos Avançados (PA) são centros, locais físicos ou instituições, contidos total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA, onde acontecem regularmente pelo menos duas das suas funções:· A proteção da biodiversidade,· O desenvolvimento sustentável, e· O conhecimento científico,servindo como instrumento para a implantação e difusão dos conceitos e princípios da RBCA. Os Postos Avançados da Reserva da Biosfera da Caatinga têm como característica:· Ser um centro ou Instituição, um local ou uma área, contida total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA.· Ser Instituição pública ou privada que desenvolva suas atividades há no mínimo dois anos.· Desenvolver regularmente, pelo menos duas das três funções básicas das Reservas da Biosfera: proteção da biodiversidade, desenvolvimento sustentável, e conhecimento científico.· Ser um instrumento de implantação da Reserva da Biosfera, no qual sejam experimentados e praticados os princípios das RB’s.· Possuir sede física onde serão disponibilizadas informações e documentação sobre a Reserva da Biosfera da Caatinga.
Leia mais em: Reserva Particular do Patrimônio Natural

28 de setembro de 2010

O Sonho da água própria.















No sertão do Nordeste a população está espalhada. Como a atividade econômica é pouca, não surgiram muitas cidades grandes, e portanto não se concentrou a população. As famílias sertanejas vivem longe umas das outras, mais que tudo da subsistência, plantando pelo menos mandioca, tentando tirar um pouquinho que seja da terra. Os ciclos da natureza não ajudam. A chuva, suficiente para viver, cai toda num terço do ano e deixa o sol esturricar a terra no resto do tempo. Aí, às vezes, não chove. E tudo que se plantou morre.
Nesse lugar, uma visão comum pelas estradinhas é a de caminhões de água. Vimos vários. Muitos vereadores têm entre suas atividades uma espécie de serviço de “disk-água”: entregam para quem pede, garantem um voto em troca. Os caminhões-pipa, geralmente, carregam a água dos açudes para as casas dispersas (já que a dispersão torna inviável um sistema de água encanada para todo mundo).
Se a chuva é suficiente, mas concentrada demais, existe uma solução óbvia: que cada um guarde o excesso de chuva da sua propriedade para quando faltar. Isso não é uma ideia absolutamente nova, claro. Há décadas constrói-se cisternas no sertão, alimentadas por uma calha com a água que cai no telhado da casa. Mas são iniciativas dispersas e muitas vezes prejudicadas por deficiências no projeto (muitas cisternas vazavam, por exemplo).
Em 2003, uma rede de mais de 600 organizações da sociedade civil criou a Articulação do Semi-Árido, ou Asa, para, de maneira descentralizada, construir cisternas pelo sertão. Foi um sucesso. Hoje quem viaja por aquelas bandas vê cisternas em toda parte: há mais de 400 mil em todo o Nordeste e no sertão de Minas. Se você perguntar para as pessoas se elas gostam da cisterna, provavelmente vai ouvir elogios desbragados. “Foi um presente de Deus”, disse o agricultor José Macário dos Santos, chefe de uma família de oito, numa resposta típica. Como ele, 97% dos agraciados com a cisterna estão satisfeitos. Menos satisfeitos ficam alguns políticos tradicionais. Uns circulam por aí com seus caminhões-pipa, oferecendo para encher as cisternas. Assim o morador não tem que se preocupar com a manutenção e a colocação das calhas (e a chuva é desperdiçada).
Mais recentemente o projeto foi aperfeiçoado. Agora a proposta é dar duas cisternas para cada família: uma para o consumo, outra para um pomar-horta. Além de segurança hídrica, a família ganha segurança alimentar e financeira. O projeto também está se tornando mais abrangente, e passa a envolver o apoio à produção local, a gestão de águas, o desenvolvimento de tecnologias sociais. Privilegia-se espécies da caatinga, que não morrem nem quando há seca. A Embrapa Semi-Árido, onde o professor Nilton de Brito trabalha (conheça-o no vídeo acima), está bastante envolvida nesse projeto. A instituição tem testado o desempenho dos diferentes tetos na coleta de água de chuva, projetado sistemas simples e baratos de irrigação por gotejamento e mantido pomares-laboratório.
(Fonte: Estadão.com.br - Isso não é normal)

22 de setembro de 2010

Área de 30 hectares na BR-232 vai servir de abrigo para espécies do Semiárido que estão ameaçadas de extinção.

Guaraci Cardoso (de boné a esquerda da foto) com o prefeito de Caruaru José Queiroz e o presidente do IPA, Júlio Zoé, representou o CERBCAA/PE no evento. Houve plantio de 70 espécies selecionadas pelo Instituto Agronômico de Pernambuco. A meta do Laboratório Hebron é concluir todo o trabalho em dois anos.
Encontrar a cura para diversas doenças, garantir o desenvolvimento sustentável e preservar o meio ambiente são ações que podem estar ao alcance de suas mãos. É com esta filosofia que a indústria farmacêutica Hebron inaugurou, ontem pela manhã, o Horto Florestal de Caruaru. A data não poderia ser mais propícia, 21 de setembro, Dia da Árvore.
Com o plantio de 70 espécies típicas da caatinga, em uma área de 30 hectares, o laboratório tem um objetivo: não deixar que a vegetação genuína do Semiárido entre em extinção. Segundo dados do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas (Crad), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), nos últimos cinco anos, cerca de 40% da cobertura vegetal do bioma desapareceram. O Horto Florestal de Caruaru, implantado no quilômetro 136 da BR-232, no Agreste do estado, vai servir de abrigo para espécies ameaçadas de extinção. Mais do que preservar, o local também servirá para a realização de pesquisas de material genético visando o combate à desertificação. "Somos pioneiros na produção de medicamentos fitoterápicos. Temos um bioma único no mundo em vias de sumir. Vamos preservar e também pesquisar essas espécies", salientou o diretor presidente do Hebron, Josimar Henrique da Silva.
A iniciativa foi uma parceria entre o Instituto Agronômico de Pernambuco (Ipa) e a Univasf. As 70 espécies foram selecionadas pelo Ipa obedecendo critérios de importância no combate à degradação do solo e do uso medicinal. "O Ipa tem o maior herbário da América Latina. Fizemos a pesquisa das espécies em 30 dias. Todas serão alvos de preservação e estudo. Estamos inaugurando mais do que um horto, um centro de referência", afirmou o gerente de planejamento do Ipa Hildeberto Rodrigues da Silva. Universitários e pesquisadores de todo o mundo poderão utilizar o cinturão verde para estudos do código genético de espécies como a baraúna, o umbuzeiro, a catingueira e a aroeira. "Vamos utilizar o material genético para desenvolver pesquisas clínicas epré-clínicas. Já trabalhamos na produção de medicamentos e queremos continuar com o trabalho, aproveitando a diversidade oferecida na região", comentou Josimar Henrique. A Univasf foi a responsável pelo desenvolvimento das mudas que serão plantadas.
No Ano Internacional da Biodiversidade, a preservação é objetivo maior dos pesquisadores. "As estatísticas relacionadas à caatinga são alarmantes. Estamos desenvolvendo tecnologia para a produção das sementes. Vamos transformar uma área completamente degradada em área verde. Este é o desafio de todo cidadão e estamos de esperanças renovadas", disse o professor doutor José Alves de Siqueira, diretor do Crad. O vice-coordenador do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga, Guaraci Cardoso, acredita que iniciativas como esta são essenciais para a manutenção da vida, o desenvolvimento sustentável e o combate ao aquecimento global. "O comitê já é focado na preservação. Estamos encontrando um parceiro multiplicador para a sobrevivência do semi-árido", comentou. O evento contou com a participação de Guaraci Cardoso, Vice-Coordenador do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE.

Zoológico - Estudos também estão sendo realizados para a criação de um zoológico da caatinga no Horto. O prefeito de Caruaru, José Queiroz, esteve na cerimônia de inauguração e avalia a possibilidade de se agregar um açude à área para a manutenção também de espécies animais. "Esta é uma iniciativa que entrará para a história do município. Cada um faz a sua parte". Até o fim desta semana serão plantadas 3.600 plantas de 25 espécies distintas em uma área de dois hectares. As demais mudas serão plantadas ao longo de dois anos.
(Fonte: Diário de Pernambuco: Adaíre Sene)


12 de setembro de 2010

A situação dos mangues e a caatinga brasileira



Luciana Ferreira, da Jovem Pan Online, entrevista o biólogo Armênio Uzunian que fala sobre a atuação situação da vegetação brasileira, a agressão aos biomas, transposição do São Francisco, mudanças climáticas e principalmente a riqueza do Bioma Caatinga.



Curiosidades sobre a Caatinga

· Estudos recentes mostram que cerca de 327 espécies animais são endêmicas (exclusivas) da Caatinga. São típicos da área 13 espécies de mamíferos, 23 de lagartos, 20 de peixes e 15 de aves. Entre as plantas há 323 espécies endêmicas.

· A Caatinga compreende quase 10% da área total do território brasileiro, com aproximadamente 740.000 km2.

· Uma área de Caatinga mais conservada pode abrigar cerca de 200 espécies de formigas, enquanto nas mais degradadas há de 30 a 40.

· Cerca de metade da paisagem de Caatinga já foi deteriorada pela ação do homem. De 15% a 20% do bioma estão em alto grau de degradação (com risco de desertificação).

· Vive na Caatinga a ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Anodorhynchus spix), da qual só se encontrou um único macho na natureza. Também vive ali a segunda mais ameaçada do país, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). Habitam os arredores de Canudos (BA), e há menos de 150 exemplares, um décimo da população ideal no caso de aves, que demoram a se reproduzir.

· Uma formação de relevo característica na depressão nordestina é o 'inselberg', bloco rochoso sobrevivente ao desgaste natural.

· Na estação seca a temperatura do solo pode chegar a 60ºC.

· A perda das folhas da vegetação da Caatinga é estratégica. Sem folhas, as plantas reduzem a superfície de evaporação quando falta água.

· No idioma tupi, Caatinga quer dizer Mata Branca, referência à vegetação sem folhas que predomina durante a época de seca